Caráter
Tê-lo é uma dádiva,
Um prêmio silencioso
Que se apropria de sua humanidade
Procriando-se na alma.
Leões procuram sedentos nossa carne
São pecados.
Uma canção de ninar soa
Por lábios trêmulos e rachados
Cicatrizes refletidas no espelho.
O fruto avermelhado
Assemelha-se ao sangue em tuas
mãos,
Há câmaras
Que saboreiam o lunático
Riscos na parede que guardam gritos
A fé abalada...
Onde Ele está?
Os corvos dançam em uma sintonia
triste,
Inimigos comuns
Inverno que congela pulmões
E o exército que parte.
Martírios de sussurros
As tosses intermináveis.
Esqueléticos
Experimentos assustadores
Uma fábrica de falsos retratos
E trabalho forçado.
Os deixe com fome, Senhor da Guerra,
As suas riquezas continuarão
estocadas
E a arte no seu coração.
Te condena a esta prisão
Colhendo grama na pobre cidade rica,
Para que possa oferecer ao teu
filho doente.
Destruindo sonhos
E o silêncio de uma população em caos.
Flores murcham
Em decomposição,
Corpos jogados na calçada
Casas de madeiras e ratos que
infestam o esgoto.
A luz faltou
E eles se fecham na casa mutilada
por cupins,
As marcas do holocausto na pele.
O chão com folhas do outono,
As nuvens cinzas
Aterroriza a população.
E eles proferiram:
Tudo no Estado.
Estado vegetativo.
Estado morto.
Estado sem nada.
Por:
Gabriele Araújo
Três de abril de dois mil e
dezesseis.
Manufatura
de Opinião – Os Pecados das Ditaduras.
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